Quando um diagnóstico de diabetes tipo 1 entra na vida de uma família, a rotina muda completamente. No entanto, imagine essa transformação chegando para uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Foi exatamente isso que aconteceu com Laura, de apenas seis anos, e sua mãe, Emilly Felix.
Moradoras de Fortaleza (CE), elas enfrentam inúmeros desafios diários. Por exemplo, precisam lidar tanto com a aceitação da aplicação de insulina quanto com a dificuldade de encontrar um tratamento adequado para o autismo. Além disso, neste Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o portal “Um Diabético” traz informações valiosas que, por sua vez, relacionam as duas condições. Dessa forma, busca ampliar o conhecimento e oferecer suporte às famílias que vivenciam essa realidade.
Primeiros sinais do autismo
“Quando ela tinha 1 ano e meio, eu percebi uns comportamentos diferentes, mas não entendia o que era. Naquele tempo, eu nunca tinha ouvido falar em autismo. Um certo dia, resolvi pesquisar sobre, inclusive fiz até aqueles testes que tem na internet, e apareceu que poderia ser autismo. Fiquei preocupada e marquei logo uma consulta no posto para ela.“
Emilly notou diversos sinais que chamaram sua atenção. De acordo com a mãe, Laura andava na ponta do pé, não atendia pelo nome, empilhava e enfileirava brinquedos e qualquer objeto, não olhava nos olhos. Quando queria alguma coisa, pegava na mão para buscar o objeto para ela. A pequena não gostava de barulho, tinha muitas questões sensoriais, atraso na fala e não entendia as emoções.
Mesmo com todas essas características evidentes, a confirmação do autismo demorou.
“Só aos 4 anos veio o diagnóstico, porque no tempo que eu fui atrás, os médicos diziam que tinha que esperar o tempo dela se desenvolver e que podia ser só pico do desenvolvimento.“

Luta por terapias e tratamento
Hoje, com 6 anos, Laura ainda não faz as terapias necessárias para o seu desenvolvimento.
“Até hoje, ela não faz as terapias que precisa, porque eu nunca consegui pelo SUS. Já são mais de 3 anos na fila de espera. De vez em quando tem crises.“
Quando Emilly descobriu o diabetes tipo 1 da filha, enfrentou outro grande desafio: ajudar Laura a aceitar a rotina de tratamento. No início, a situação foi bem difícil, pois Laura sentia muito medo e recusava as aplicações. Então, foi todo um processo para ela aceitar bem como aceita hoje.
Apesar dos avanços, Laura ainda enfrenta dificuldades diárias relacionadas ao autismo. Até hoje, ela tem questões sensoriais, tem sensibilidade a barulho, não aceita o não, não entende as emoções e leva tudo ao pé da letra.
Mudanças na rotina podem desencadear crises
“Quando a gente vai fazer uma programação diferente, geralmente ela sempre tem crise, porque tem dificuldade em fazer algo novo, algo diferente.” diz a mãe de Laura
Para crianças autistas, a previsibilidade é fundamental. Mudanças abruptas podem causar sobrecarga sensorial e crises, o que torna o dia a dia mais complexo para Emilly e Laura.
Relação entre autismo e diabetes
Estudos apontam uma possível relação entre autismo e diabetes tipo 1. O documento analisado revela que indivíduos com autismo podem apresentar um risco maior de desenvolver doenças autoimunes, incluindo o diabetes. Além disso, a gestão da doença pode ser mais desafiadora devido a dificuldades na comunicação e na adesão ao tratamento. Uma pesquisa publicada no JAMA Pediatrics mostrou que crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ter um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 1.
A hipótese levantada pelos pesquisadores é que fatores genéticos e imunológicos possam influenciar essa conexão. Além disso, o estudo destaca que o controle glicêmico pode ser ainda mais complicado para crianças com autismo devido à resistência a mudanças na rotina alimentar e aos desafios comportamentais relacionados à aceitação do tratamento.
Futuro e esperança
Ainda assim, mesmo com desafios diários, Emilly continua buscando maneiras de garantir que Laura tenha acesso ao que precisa.
“Eu faço o que posso para dar o melhor para ela, mas muitas vezes me sinto sozinha nessa luta. Eu queria que as coisas fossem mais fáceis, que o tratamento fosse garantido sem tanta espera.“
A esperança é que as políticas de saúde avancem, reduzindo filas de espera e garantindo que crianças como Laura tenham qualidade de vida e suporte adequado para viverem plenamente com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
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